Sem menor intenção de
acordar Travis me vesti, uma parte de mim suplicava para que Justin levasse
Luke para escola hoje, suplicava para que eu pudesse encontra-lo de novo, e
outra parte tinha um certo receio por Jhenna, meus pensamentos e sentimentos
remetente a Justin não eram lá exatamente puros, e eu não sei mais oque fazer
enquanto a isso. Desde o dia anterior isso tem me atormentado, oque ele queria
dizer perguntando aquilo? Era pra lá de estranho tal atitude. Escovei os dentes
e suspirei pegando minha bolsa ao sair do quarto, contentei a estranha e
costumeira vontade de lhe dar um beijo de despedida que eu sempre lhe dava ao
acorda-lo e antes de levar Emma para escola. Agarrando a alça da minha bolsa
desci as escadas podendo ver Ana a ensinar algumas palavras em espanhol para
Emma, enquanto a mesma balançava as pernas instigada com a fala de Ana.
- Olá mama, como estas?
–Perguntou-me ela em um risinho ao pronunciar as palavras.
- Assim mal precisará fazer
aulas. –Sorri para ela que se levantava vindo até mim, jogando sua mochila por
cima do ombro.
- A Ana disse que nem
preciso. –Respondeu.
- Há Ana, obrigado por
ensinar a ela –Levantei os olhos para ele erguendo os lábios em um sorriso, ela
devolveu-me o sorriso- Pode retirar a mesa ok?
- Mas e o senhor Travis,
Dona Olivia? –Indagou ela com a testa franzida.
- Deixe que ele se vire.
–Agarrei a mão de Emma dando as costas a Ana. Não peguei as chaves do meu
carro, de certa forma estava esperançosa em encontrar Justin na frente da
escola das crianças. Eu já podia imagina-lo de joelhos em frente a Luke
enquanto lhe dizia algo acolhedor para convencê-lo a entrar na escola como
sempre o fazia, e de alguma forma aquele esforço era em vão pois sempre que
Luke via Emma aparecer na entrada da escola toda sua preocupação de criança
amedrontada parecia sumir. Emma costumava dizer que ela protegia-o das outras
crianças enquanto podia, e quando não podia ele sabia que ela estaria ali. Era
quase impossível não me sentir bem com todo aquele sentimento de irmandade que
emanava desses dois. Nas ruas calorosas e movimentadas da cidade que nunca
dorme eu caminhava na calçada ao lado de Emma enquanto brincávamos de “Eu
vejo”.
- Eu vejo com meu olhinho
uma moça idêntica a vovó. –Disse ela ao passarmos por uma senhora vestida de
calça moletom e também casaco moletom a correr com seus cabelos grisalhos
tingidos de loiro. As rugas visíveis mas disfarçada em provavelmente um creme hidratantes
para rugas, realmente a moça se parecia com mamãe. Tentava de qualquer forma
evitar a velhice que lhe chegava tão rapidamente, não tive como não acompanha-la
em uma risadinha.
- Eu vejo com meu olhinho
céu todo azuzinho. – Ri abaixando os olhos para ela que levantou a cabeça
olhando para o céu repleto de arranha céus.
- Eu vejo com meu olhinho o
tio Justin e o Luke atravessando a rua na frente da escola. –Ela apontou para a
poucos metros a nossa frente, instantaneamente meu sorriso perdeu tal
intensidade e sem controle das minhas pernas passei a andar um pouquinho mas
rápido, chegando assim junto a ambos ao portal. Seus olhos tranquilos pausaram
em cima de mim em uma expressão calma, um meio sorriso lhe desenhava os lábios.
- Tio Justin –Dizia Emma em um largo sorriso fazendo-o olha-la
- Liz, princesa –Ele
abaixou-se para lhe dar um abraço. Logo após Emma agarrou as mãosinhas de Luke
e entraram portão a fora. Acenando com as mãosinhas pequenas e com largos
sorrisos. Sorri deixando escapar um suspiro um tanto nostálgico
— E aí? Pronta
pra um café? —Ele perguntou casualmente, eu suspirei o olhando.
— Claro.
—Respondi, e então caminhamos em um gostoso silencio preenchido pelos roncos de
motores, e buzinas do transito bastante costumeiro. Entramos na cafeteria, e
ele pediu por nós o que sempre pedíamos, um café expresso com donuts simples,
para aguentar o dia cansativo que nos aguardava, e que não tardou a ser servido.
— Como esta o
pai da Jhenna? —Perguntei
— Não muito
bem, ela disse que ficará mais uns três dias por lá. —Ele respondeu.
— Sinto
muito... —O olhei tendo uma ideia amigável, sabia que ele precisava ir estar
com a esposa nesse momento. Pois além de tudo, eu considerava Jhenna uma boa
amiga. — Sabe,você pode deixar o Luke comigo, e ir ficar lá esses dias.
— Você já tem
problemas de mais, e além do mais, o pai dela não gosta nem um pouco de mim. —Ele
murmurou em divertimento — Ele não gostaria da minha presença lá.
— O Luke não seria um problema, ele é um bom garoto, e
afinal, Emma gosta muito de brincar com ele. —Sorri, ele balançou a cabeça
dando um gole em seu café.
— Eu sei, mas realmente não é preciso. —Ele agarrou
levemente minha mão que pausava em cima da mesa.— Você tem sido uma boa amiga,
Liv.
— Faz quantos anos que não me chama assim? Vinte? —Ri
puxando minha mão da sua, em um bocado de nervosismo.
— Talvez mais. Uns vinte e dois.
— Vinte e dois
anos, isso faz com que eu me lembre que nos conhecemos a vida inteira. —Falei
baixo
— Isso é bom,
eu não sei o que seria de mim se você não estivesse aqui a vida inteira. —Ele
murmurou, eu engoli em seco e peguei meu café, bebericando um pouco. — há algo
errado?
— O Travis, eu
acho que já não tenho duvidas sobre ele. — Falei
— Eu ainda
acho que ele não seria capaz. — Ele disse na tentativa de acalentar-me eu sorri
sem animo.
— Eu já não
sei se posso esperar menos, e você sabe porque não estou culpando-o tanto. —Eu
disse sem ao menos pensar, e me praguejei por tocar naquele assunto, mas não
podia negar que aconteceu, eu o traí Travis por dias, eu estive a ponto de
deixa-lo três meses antes do casamento e não o culparia se ele fizesse o mesmo.
— Você não
contou a ele, não foi?
Eu neguei com
a cabeça, e suspirei abaixando os olhos, eu estava disposta a perdoa-lo, se ele
me contasse, pois saberia que ele seria melhor do que eu, tendo coragem de
contar seus segredos, e não guardando por dez anos.
— E como eu
poderia? Ele nunca me perdoaria. —Resmunguei sentindo uma súbita ardência em
meus olhos, mas segurei as lagrimas, sentindo sua áspera mão acariciar-me o braço
esquerdo levemente.
— Você não
pode deixar que a traição dele passe porque você fez o mesmo, não pode se
culpar pra sempre. Desculpe-me!
— A culpa não
foi sua. —O olhei— Eu quis.
Ele coçou a
garganta e sentou-se corretamente saindo de meu alcanço, sabia que aquilo havia
o incomodado então olhei em meu relógio, na tentativa de dar uma desculpa para
que eu saísse antes que eu estragasse outra vez a nossa amizade.
— Eu preciso
ir, tenho que passar em casa ainda pegar umas pastas, e ir correr pro trabalho,
tenho várias críticas pra entregar hoje. — Disse apressada, ele balançou a
cabeça e um sorriso e se levantou me ajudando a levantar.
— Quer que eu
te acompanhe até o taxi? — Indagou
Eu balancei a
cabeça em negação:
— Não esta
tudo bem, nos encontramos amanhã? Pra um café? Ou você janta conosco hoje?
— Olha eu acho
que aceito seu jantar. —Ele disse um bocado sem jeito continuando em seguida: —
Nossa empregada esta de folga e Luke odeia a comida que costumo fazer para ela.
— Tudo bem.
—Sorri — Bom, se prepare pro turbilhões de perguntas sobre o Floyd, a Emma esta
louca.
— Diga a ela
que no sábado, passo pra busca-la pra ir ao central park com o Luke.
— Esta bem. — Engoli
em seco, e olhei outra vez o relógio em meu pulso.- Mas agora eu preciso mesmo
ir, eu te amo, até mais tarde.
Eu disse tão rápido
enquanto beijava-o a face que mal me dei conta que aquelas palavras bailaram da
minha boca, a sua reação por um instante eu percebi ser de espanto mas logo um
sorriso se espalhou em seus lábios.
— Eu também.
Eu abaixei os
olhos e saí o mais rápido daquela cafeteria, sem olhar pra trás, sem a intenção
de ficar mais constrangida com aquilo. Eu estava tão apressada, tão distraída e
fora do foco que fora impossível contentar minhas palavras.
* * *
Concertei meu
blazer, olhando-me no espelho. Enquanto via Travis resmungar algo do quarto por
estar fodidamente atrasado. Passei a escova no cabelo e após penteá-lo eu já
poderia ir para o trabalho, terminar o mais rápido possível aquela reunião com
meu novo chefe e entregar as críticas para Dorothe.
— Você pode
por pra mim amor? Sabe que eu me enrolo todo pra colocar isso. — Ele resmungou
quase relutante, entrando no banheiro com uma gravata preta. Eu ergui uma
sombra celha deixando
— Então quer
dizer que isso a sua amante não sabe fazer? — Indaguei deixando a escova na
pia, ele revirou os olhos.
— Por favor,
não vamos começar com a sua paranoia hoje. —Ele disse calmamente, eu suspirei
tomando a gravata de sua mão, passei por seu pescoço e o puxei para mais perto,
ele forçou-me um sorrisinho tocando minha cintura.
— O que foi? —
Perguntei séria, ele alargou o sorriso.
— Eu amo seus
olhos. — Disse ele, eu bufei.
— Ainda estou
chateada com você.
— Eu sei. —
Ele apertou minha cintura, puxando-me para mais perto, colando-me ao seu corpo,
eu respirei fundo.
— Não somos
mais como antes Travis, não vou deixar de ficar brava com você com sexo. —
Resmunguei me afastando, terminei o nó, concertei a gola, e passei a mão em seu
peito arrumando a camisa branca, como uma mãe arruma o filho caçula para a
igreja.
— Eu sei que
pisei feio na bola, sei que estamos passando por uma fase ruim mas eu quero
melhorar a nossa situação.
— Pois não
parece. —Dei a volta pelo mesmo, rumando ao quarto, peguei minha bolsa tendo a
noção de que logo ele estaria ao meu lado.
— Você quer
sair pra jantar amanhã? Podemos jantar em algum lugar no brooklyn, podemos até
ir passar o final de semana na nossa casa de praia lá em Miami, voltamos na
segunda, podemos ir ao teatro, o que você acha? — Ele perguntou
acompanhando-me, eu sorri o olhando
— Você não
esta fazendo isso por que se acha no dever, esta?
Já fora de
casa ele apertou o botão do elevador
— Eu só não
quero que fique chateada pra sempre, quero ser como antes, quero acordar com
seus beijos, quero transar pra cacete depois de um jantar, e depois dormir
sabendo que você não esta infeliz comigo. — Ele disse simples, eu suspirei, e
senti seu braço envolver minha cintura fortemente. Seus lábios não tardaram a
tocar meu rosto
— Podemos ir
na Broadway amanhã. — Propus, ele balançou a cabeça afirmando.
— Vamos aonde você
quiser.
— Eu te amo. —
Sussurrei
As portas se
abriram, ele ainda agarrava minha cintura quando guiou-me até o elevador, onde
apertou o botão da garagem.
— Eu só quero
que tudo seja como antes. — Ele acariciou-me a face antes de beijar-me
levemente os lábios.
— E vai ser.
— Começando
com uma super transa hoje? — Ele soltou uma leve risadinha dando um beijo na
ponta do meu nariz, eu revirei os olhos em resposta
— Eu ainda não
tive a oportunidade de mostrar o que comprei no sábado — Sussurrei contra seus
lábios
— To loco pra
ver, vamos fazer como os poetas outra vez. —Ele sorriu antes me beijar outra
vez
* * *
Engoli em seco
concertando meu blazer enquanto caminhava com meu portfólio até a sala do meu
novo chefe. Mal sabia seu nome direito, não tive tempo de gravá-lo mais cedo
quando Gina havia me falado por alto todos os dados sobre ele. Respirei fundo e
com os nós dos dedos dei três batidas na porta. Ouvindo um abafado “Entre” de
uma voz um tanto rouca, talvez fosse por ter uma porta em meio a ambos. Girei a
maçaneta sentindo minha mão soar, engoli em seco tentando dispensar o
nervosismo.
Ele estava
sentado em sua cadeira, a sua sala era três vezes melhor que a minha, pudera ele
era meu chefe, precisava ser melhor que eu. Tinha leves cachos comportados
quase não visíveis na altura de seu queixo, e um Iris esverdeado, invejavelmente
lindo. Seus lábios finos e levemente rosados eram encantadores, e ele parecia
ser menos intimidador que Jhon, meu antigo chefe.
— Senhorita
Copel, que prazer em conhecê-la. —Ele sorriu levantando-se e estendendo sua mão
para mim, eu retribuí nervosamente ao sorriso apertando sua mão quando o
alcancei.
— O prazer é
todo meu. —Tomei coragem de dizer.
— Sente-se,
pode se sentar. —Ele gesticulou para a cadeira ao meu lado enquanto também se
sentava, eu respirei fundo sentando-me a sua frente. Eu precisava lembrar o
nome dele, eu precisava.
— Obrigado.
— Eu ouvi
dizer que seu antigo chefe era um daqueles bem detestáveis. —Ele disse com uma
pitada de humor em seu tom.
— Trabalhei
poucas semanas, mas desculpe dizer ele era... Pouco menos que suportável.
—Falei abaixando meu tom, aquele homem era realmente encantador. Vestia-se como
um inglês, falava como um inglês, além de cheirar deliciosamente como um, e se
eu tivesse lido o que Gina havia deixado em minha mesa a alguns dias eu saberia
que ele era realmente um inglês.
— Fique
sabendo que não cobrarei tanto —Ele fez uma breve pausa debruçando sobre a mesa
e folheou alguns papéis antes de dar continuidade- Eu li suas críticas, e sei
que não precisará ser cobrada, tem um grande talento senhorita Copel
— Obrigado
senhor. —Forcei-lhe um sorriso, suspirava por dentro por ele ser um homem tão
agradável.
— Antes de
aceitar esse cargo eu já conhecia seu trabalho, soube que além da TV se
arriscou a escrever em uma coluna no jornal local de Miami. — Ele murmurou
ainda folheando os papéis.
— Me arrisquei
a escrever alguns contos. — Respondi
— E você esta
fazendo o que ainda no jornal? — Perguntou ele, levantando levemente os olhos
para mim, que tossi sem ter alternativas do que dizer.
— O jornal é
minha vida, estou a tanto tempo sendo jornalista que é quase impossível eu me
ver fora disso.
— Bom. É uma
pena, pois a senhorita tem um talento esplendido para escrita, eu não hesitaria
em publicar um livro de sua autoria.
— Muito
obrigado senhor. —Sorri. — Quem sabe um dia eu o faça.
— Estarei
sempre esperando uma notícia. — Ele sorriu docemente, eu engoli em seco vendo-o
deixar as papeladas de lado, e levantar-se, caminhou em volta da mesa, e
sentou-se nela, tão próximo a mim, olhando-me nos olhos.
— Será o
primeiro a ser avisado senhor. —Quase gaguejei.
— O que a
senhorita trouxe para mim hoje?
Eu desviei meu
olhar para o portfólio em meu colo e o peguei estendendo em sua direção, aquele
homem parecia querer flertar comigo a cada elogio, ou eu só estivesse ficando
louca?
— Algumas
críticas. — Respondi, ele abriu o portfólio, molhou os lábios e folheou
lentamente. Eu engoli em seco sentindo minha mão ficar encharcada de puro nervosismo.
— Vou dar uma
olhada. — Ele disse deixando o portfólio ao seu lado da mesa, e seus olhos
rumaram a mim outra vez.
— Claro
senhor.
— Há, pode me
chamar de...
PA PA PA PA, FIQUEM NA CURIOSIDADE, porque eu adoro, amo, sou, aprecio essa maldade. Quem deve ser esse chefe gostosão inglês dela? kkkk Af vai ser impossível alguém errar isso.




Mais gente pera EU NAO SEI QUEM É ESSE INGLÊS GOSTOSAO,QUERO MAIS POSTE LOGO PLEASE
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