11.11.2014

Flatline - 36º Capítulo

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– Justin –Ela gritou na sala.
– To na cozinha, amor. –Ouvira ela como resposta, ela sorriu e caminhou lentamente até a cozinha. Onde Justin estava sentado mexendo em seu celular, enquanto Candy se deliciava com um waffles coberto de mel. Ela puxou uma cadeira e sentou-se ao seu lado. Ele tirou os olhos do celular para olha-la.
– Seu tratamento começa amanhã. –Disparou ele
– Vou ficar careca –Ela suspirou- Eu não quero ficar careca.
– Vai continuar linda, minha flor.
– Candy, corta o cabelo comigo? –Ela sorriu em prosa, Candy levantou os olhos para ela evitando uma risada.
– Desculpe mas não posso fazer esse sacrifício.
– Podemos comprar perucas pra você o que acha? E também demora algumas semanas para os cabelos caírem.
– Espero que eu não tenha de parar de fumar. –Ela levantou-se indo pegar uma xícara, serviu-se de café sentindo-se um tanto tristonha aquela manhã lembrando-se dos sintomas de sua mãe quando começara o tratamento.
– Tudo vai mudar a partir de amanhã –Ela deu um gole no café virando-se para eles- Eu sei que disse que seria festa a todo tempo, mas eu sei que a quimioterapia impede que a pessoa viva, quem é que quer sair de casa com cabelos faltando na cabeça? Ou com enjoos tão profundos quanto de mulheres grávidas? Quem é que quer ir a uma festa com uma mascara para evitar os germes? A quem eu quero enganar, minha vida a partir de agora irá se resumir apenas nisso.
– Talvez pra que você se sinta bem não precise de festa, apenas das pessoas certas –Candy murmurou contendo um suspirou.
– Juro que vou por os melhores médicos pra ajudarem com isso. vou pagar o quanto for preciso para procurarem a cura.
– Acho pouco provável que consigam encontrar –Um suspiro rasgou-lhe a garganta- Agora sei como se sentem, Já estou sentindo falta do meu cabelo –Sorriu.
– Vamos comprar cabelos mais bonitos –Candy ofereceu-lhe um sorriso acolhedor- Você pode ser loira hoje, amanhã morena, depois você pode estar com cabelo rosa... Estilo Nick Minaj
– Será que eu posso ficar de porre só hoje? –Ela resmungou dando um gole no café, Justin revirou os olhos
– Sabe que não pode, Faith.
– Vocês sabiam que eu vou morrer fazendo ou não quimioterapia? A quimioterapia apenas me faz perder cabelo e sentir dor, e sem quimioterapia eu posso ir a festas, beber, e sair com vocês.
– A quimioterapia te da mais tempo de vida, Faith –Justin resmungou- E você sabe disso.
* * *
– Crianças, crianças pelo amor de Deus não corram –Jeremy chamava a atenção dos irmãos mais novos de Bieber quando os mesmos correram adentrando a casa. Pattie vinha logo atrás, não era lá nem uma data especial, mas era frequente as visitas de Pattie desde que Justin havia perdido Faith. A alguns dias ela recebera a notícia de que a moça por quem seu filho era perdidamente apaixonado teria no máximo quatro a cinco anos de vida, o que a fazia lamentar-se intensamente, não só pelo filho mas pela doce moça que era Faith.
– Como vai filhão? –Jeremy abraçou Justin, Faith e Candy olharam aquilo abobadas.
– Na medida do possível - Respondeu o soltando, um sorriso largo brincou-lhe nos lábios quando vira sua mãe finalmente entrar e fechar a porta atrás da mesma. Ele caminhou até ela agarrando a pequena mulher em um abraço apertado, ela retribuiu e sorriu.
– Como você esta meu filho?
– A senhora sabe né? Com uma grande bebê pra cuidar agora –Ele murmurou soltando-a.
– Eu ouvi isso, Justin. –Contestou ela acompanhando no sorriso. E assim se passou aquela tarde de comprimentos, pela primeira vez ela havia visto Justin conversar com seus pais sem fazer piadas ofensivas, ou qualquer outro tipo de ofensa, seu tom era doce e agradável, ele parava a conversa inúmeras vezes para brincar com os irmãos enquanto Faith olhava tudo aquilo embasbacada. Aquele sim era o Justin que compôs todas aquelas musicas. Aquele sim era o Justin que ela sabia que a mídia, a fama, e o dinheiro haviam destruído.
Já pelas cinco da tarde, seus pais haviam subido e Candy também, pois reclamava de enxaqueca, Faith abraçou o travesseiro e recostou a cabeça no ombro de Justin enquanto ele assistia TV junto com seus irmãos.
– Seus irmãos são uns amores. –Ela sorriu
– São.
– Esta tudo bem?
– Estava pensando. –Disse ele.
– No que? –Indagou
– Não quero te chatear, são só pensamentos. –Desconversou.
– Não vou me chatear, esta tudo bem.
– Nós nunca poderíamos chegar a ter isso. –Contentou um suspiro na garganta, Faith levantou a cabeça de seu ombro para olhar e juntou as sombra celhas sem entender onde ele queria chegar, parecia distante desde que os pais chegaram. O que não a incomodou, até aquele momento.
– Isso? Do que esta falando?
– Família, nós não chegaremos a ter uma família, Faith.
– Mas nós começamos a namorar agora, nos conhecemos não tem nem um ano, mesmo que eu não estivesse doente não deveríamos pensar em ter uma família tão cedo.
– Esse é o problema –Confessou virando sua face para ela- Nós não temos tempo, Faith.
– Não fale como se fosse minha culpa.
– Eu não estou falando isso eu só... –Ele suspirou virando-se sem animo para a Tv- Esquece Faith.
Por um tempo ela ficou calada, entristecida ao chegar aquele ponto, de alguma forma aquela conversa queria dizer que ele havia mudado tanto a ponto de pensar em uma família com ela, era como se o Justin de meses atrás nunca tivesse existido, era como se tudo fosse apenas uma prova que Faith havia passado com muito custo. Ela suspirou deixando o travesseiro que agarrava de lado e deitou novamente a cabeça em seu ombro abraçando sua cintura, sentindo sua mão repousar em suas costas e seus lábios tocarem sua testa.
– Não fique assim, esqueça o que não iremos poder fazer, e apenas vamos viver o quanto pudermos.
02:43 A.M
A respiração de Faith estava acelerada, suas pálpebras pesadas e sua boca aberta em arfares fortes e descontrolados ao lado da cama, sua mão repousava em seu peito em uma tentativa de conter a dor de seu peito, faltava-lhe em ar em seus pulmões de tal forma que ela nunca havia sentido, era tão intenso que mal se comparava a da noite passada, sua testa respigava suor, suas mãos formigavam intensamente.
– Jus...Justin –Cutucou-o- Justin –Tornou a sussurrar em um sopro que ela mesma não ouvia, no entanto ele acordara, sentindo-se cansado abriu os olhos avermelhados assustando-se com a respiração acelerada de Faith, quase em um pulo levantou-se ele.
– Faith? De novo? Acha que pode controlar? –Perguntou sem muitas alternativas do que fazer, ela com dificuldade balançou a cabeça.- Droga, tudo bem eu, eu vou te levar ao médico –Levantou-se ele rapidamente da cama, sua cabeça girava de tal forma que chegava a deixa-lo desesperado, Faith parecia mais estar tendo um enfarto do que falta de ar, ele mal calçou os sapatos nela, apenas agarrou puxando para seu colo, indo o mais rápido que conseguia até o quarto de seu pai abrindo-o bruscamente
– Pai, me ajuda a levar a Faith pro hospital ela ta tendo uma crise estranha de falta de ar –Gritou ele sem muitas alternativas de quem pedir ajuda, fazendo seu pai quase pular assustado da cama, desceu o mais rápido que pode as escadas, Faith sentia suas pálpebras pesarem tanto que chegava a doer, sua respiração fora parando, seu organismo parava de buscar por ar, seus pulmões já não tinham tanta intensidade para... E ela aos poucos já não tinha visão de nada trazendo um desespero constante a Justin que esperava seu pai na sala
– PAI PELO AMOR DE DEUS DESCE LOGO –Gritou ele, os braços de Faith já não seguravam mais seu pescoço, estavam tão pesados que caíram para o lado, sua cabeça tombou para trás e tudo que ele conseguia sentir era medo, medo daquele ser o fim. Seu pai junto de Candy e sua mãe desceram tão rapidamente quanto ele.
– O que aconteceu?
– Não da pra explicar agora, vamos.
* * *
O hospital em que dera entrada estava vazio, alguns enfermeiros passavam vez ou outra na sala em que ele, seu pai e Candy estavam fazendo-o perguntar a todos se tinham notícias de Faith. Desistiu de andar de um lado para outro ansioso e impaciente, então cansado daquela espera esparramou-se na poltrona branca que havia ao lado do sofá. Sua cabeça latejava de tal forma insolúvel, a ansiedade e a preocupação dominavam-no completamente.
– O médico disse que era normal, mas essa porra não é normal. –Grunhiu ele alto o suficiente para Candy ouvir ao seu lado.
– Talvez não seja nada tão grave, Justin –Respondeu.
– Senhor Bieber –O doutor em fim dera as caras naquela sala vazia, tão rapidamente ele se levantou para ouvir oque ele dizia
– Sim, oq ue aconteceu? –Indagou
– Fique tranquilo, como disse a falta de ar na leucemia mieloide é completamente normal, ela só ficou um pouco desesperada de mais, vai acontecer isso muitas vezes, então eu já passei a ela os comprimidos que ela deve tomar durante o dia pra evitar isso, não tem nada a ver com seu pulmão, tente fazer com que ela não se esforce tanto, tente deixa-la o máximo descansada para que isso não aconteça, o desmaio também foi normal.
– Ela terá de passar a noite aqui?
– Seria bom, aí durante o dia ela poderia fazer a quimioterapia pela manhã e logo estaria dispensada.
– Podemos vê-la? –Indagou Candy.
– Claro. Acompanhem-me. –Gesticulou ele em direção ao corredor, caminharam então mais tranquilos até o quarto, que não tardou a chegar, o doutor passou a frente a abrir a porta para que todos entrassem, no entanto ele não entrou, apenas Justin, Candy e seu pai. Faith sentia-se tão cansada que mal teve vontade de se concertar a cama para falar com eles, apenas forçou-lhes um meio sorriso, cânulas que lhe bombeava ar para que ela pudesse controlar sua respiração aquela noite a incomodavam mais do que os algodões que tinha de por quando seu nariz sangrava grosseiramente.
– Como se sente? –Justin murmurou.
– Essas cânulas são uma droga, quando posso tirar isso? –Resmungou quase sem voz, tendo a noção do quão fraca parecia estar.
– Não sei, talvez você tenha que dormir com elas só pra prevenir outro tipo de crise. –Respondeu ele.
– Bom, agora que sabemos que esta tudo bem eu já posso voltar pra casa pra dar notícias a sua mãe. –Pronunciou-se Jeremy.- Vou ligar pro pai dela.
– Tudo bem –Justin respondeu-o- Você também pode ir, Candy. Eu fico com ela
– Ok, me liga se acontecer alguma coisa ta bom? –Ela direcionou o olhar para Faith, que se esforçou para lhe oferecer um largo sorriso.
– Ele vai ligar. –Respondeu ela, Candy caminhou em paços rápidos até a cama de Faith inclinando-se em cima dela para lhe depositar um beijo na testa.
– Acho que não irei conseguir dormir mais hoje.
– Não faça isso, vai ter olheiras e de amiga feia já basta eu –Era até estranho o modo como ela se esforçava para não tornar o situação ainda mais deprimente e preocupante.
– Você esta linda, só precisa pegar um pouco de sol –Comentou ela em riso abafado e sem nem um rastro de humor. Assim despedindo-se com um aceno e saindo ao lado de Jeremy da sala. Justin sentou-se na beirada de sua cama perto a sua cintura, e pegou em sua mão tão gelada como se ela já estivesse morta.
– Você me assustou.
– Desculpe.
– A partir de amanhã tudo irá melhorar.
– Nada vai melhorar Justin, tudo irá ficar pior, você não sabe mesmo oque o tratamento faz.
– Seja lá qual for os sintomas nós vamos passar juntos.
– Ta, não fique dizendo essas frases feitas, apenas fique e não fuja quando tudo estiver uma merda –Sussurrou em um meio sorriso quase não visível- Deite aqui comigo.
– Eu não vou fugir.
– Tudo bem, agora deita comigo... Por favor.
23 dias depois 08:48 A.M
Mal acordava ela e já se debruçava sobre o vaso sanitário vomitando avidamente tudo que havia comido a noite passada, embora não tivesse comido metade de um prato de sopa fria. Não sabia nem mais porque continuava naquilo, não sabia porque continuava fazendo quimioterapia, tudo que ela fazia era vomitar, sentir-se fraca e enjoada o tempo todo, os efeitos da quimioterapia pra ela parecia ser mais agravado, o que a levava a se perguntar como sua mãe suportava tal dor, como ela suportou tal dor por tanto tempo. Aquilo era loucura para ela, a dor era insuportável, os vômitos eram frequentes até mesmo com os medicamentos passados pelo doutor Connor. Levantou-se exausta do chão e dera a descarga praguejando o dia em que tivera nascido, caminhou até a pia escovando os dentes e olhou-se no espelho, seus olhos avermelhados indicando a noite mal dormida, suas olheiras extremamente visíveis, sua pele esbranquiçada como leite lhe dava ânsia de vomito. Sua aparência estava mais que destruída, e ela nada podia fazer além de esperar por sua morte. Justin para ela parecia mais um pai do que um namorado, ele nunca parava em casa, estava disposto a encontrar a cura, estava sempre a fazer ligações para diversos lugares onde ele estava ciente que havia um laboratório a sua altura que Scooter havia lhe dado os números, estava sempre distante de mais, fazendo com que ela se sentisse as vezes até como um pedra em seu sapato, era como se ela também tivesse o matando, como se ela tivesse deixando-o fracassado, mas nele transbordava esperança e não importava o quanto teria de gastar para tê-la por mais tempo. Ao terminar de escovar os dentes se despiu e sem animo caminhou até o chuveiro, entrando em baixo daquela água gelada naquela manhã ensolarada de sábado. Estava dispersa, um pouco mais deprimida que o normal naquela manhã, se perguntava como estaria seu pai, que até poucos dias estivera com ela, passando alguns dias e tornando a viver aquela dor, tornando a ver mais um membro de sua família morrendo aos poucos. Era triste a vida de seu pai -Ela pensou-, era triste pois ele viu todos os membros de sua família morrerem, e sua esposa definhar a cada dia, agora vira sua filha com a mesma doença, definhando, morrendo, se acabando lentamente. Era isso, a vida de seu pai era realmente deprimente, não lhe sobraria mais ninguém, não lhe sobraria mais ninguém com que se preocupar, não havia mais nem um membro de sua família, e ele não teria oque todos em sua volta tem, era um homem de quase sessenta anos, não tinha esposa, não tinha um filho, não tinha netos, e agora não teria filha, nada lhe restava mais, a não ser as lembranças de uma vida repleta de mortes de seus entes queridos.
Faith suspirou e tombou a cabeça para trás passando os dedos entre os cabelos, abaixou a cabeça e abriu os olhos olhando para suas mãos repletas de cabelo que saíra tão facilmente, ela suspirou entristecida contendo a vontade de chorar, aquilo estava acabando com sua autoestima.
– O que esta fazendo? –Ouvira a voz de Justin fazendo com que ela desligasse o chuveiro.
– Nada.
– Você quer sair pra tomar café fora hoje?
– Não.
– Bom, então eu vou pedir pra empregada fazer.
– Estou sem fome. –Sussurrou enrolando-se em sua toalha.
– Esta tudo bem? –Indagou.
– Só estou sem fome. –Respondeu saindo do quarto, ele a acompanhou, escorou-se na cômoda ao seu lado enquanto ela ao seu lado oposto abria o armário a procura de uma roupa para o calor daquela manhã.
– Você tem estado tão quieta –Comentou ele.
– Minha voz esta tão ruim que eu resolvi ser uma pessoa quieta, afinal você nunca gostou do meu falatório mesmo.
– Não é verdade. –Grunhiu cruzando os braços, ela deixou a toalha de lado deixando seu corpo nu e magricela exposto a ele, fazendo-o lembrar que já não a tocava desde que ela havia voltado para ele. Ela preguiçosamente vestiu a calcinha e tentou por o sutiã, ele caminhou até ela, pois seus cabelos molhados para todo um lado de seu ombro e pois seu sutiã certamente passeando seus longos dedos por sua espinha fazendo-a o olhar por cima do ombro.
– Você tem fugido tanto disso. –Sussurrou ele- É como se tivesse medo de mim.
– Meu corpo não esta bonito, Justin. Eu não estou bonita, sabe... Eu nem sei porque você ainda esta aqui, eu estou ficando careca estou pesando menos que uma pessoa normal, minha aparência é horrível e...
– Você continua a mesma Faith –Interrompeu-a virando-a para si, seus olhos buscavam pelos dela que tinham uma expressão triste- Continua tão bonita quanto antes.
– Mesmo?
– Huhun, agora pare de dizer estas coisas tudo bem?
– Eu me sinto horrível.
– Não se sinta –Ele acariciou-lhe a face gélida com a mão esquerda, enquanto a direita puxava-a para mais perto, trazendo os lábios dela para em fim um beijo, calmo e vagaroso.
– Quero cortar o meu cabelo. –Ela sussurrou contra seus lábios, ele acariciou-lhe a bochecha e sorriu.
– Vou mandar alguém vir cortar esta bem?
– Também queria te pedir uma coisa.
– O que?
– Para. –Ela disse em um sopro- Para de tentar achar a cura.
– Não podemos desistir Faith. –Sussurrou ele- Não podemos perder a esperança
– Eu já perdi. –Ela mordeu o lábio superior em um suspiro
– Mas eu não. –Ele tomou-a para si pondo-a no colo, ofereceu-lhe um sorriso enquanto caminhava até a cama.- Se você perde a esperança você perde a fé, porque a fé é um tipo de esperança, e se você perde a fé você desacredita que o cara lá de cima pode mover seus pauzinhos e nos ajudar.
– Ele não quer mover os pauzinhos. –Ela sorriu sem vontade- Mas não vamos falar de Deus quando estamos prestes a transar, cala a boca e me beije senhor da esperança.


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