- Errou de casa, meu amigo. Ou se não, errou de endereço, a ocupação dos novos estudantes de intercambio é daqui a duas quadras. –Faith respondeu por fim
Encostou-se na porta e seu pai dava-o as costas fazendo Justin abrir o sorriso que só ele tinha para com ela.
- Pode dizer, esse disfarce é ótimo não?
- Fale baixo mulher, quer todos escutem? Ou melhor quer um alto falante? -Ironizou
- Desculpa
Ela desmanchou o sorriso.
Ela desmanchou o sorriso.
- Do que teu pai estava falando?
- Nada de mais. –Desconversou
- Não parecia ser nada de mais.
- Escute, volta pra sua casa vai, realmente foi perda de tempo vir até aqui.
- Eu lhe trouxe flores.
- Seu teatro é meio desnecessário
Ela pegou as flores de sua mão.
Ela pegou as flores de sua mão.
- Não seja tão grossa, estou aqui de bom grado só pra cuidar de você.
- Cuidar de mim? –Sua risada era forçada e desacreditada.- O mês passou, você só precisava fingir lá... Se bem que nem lá você fingiu direito não é? Então agora estamos livres de todos os contratos que nos prendiam, meu Deus.
- Acabei de lembrar que irei precisar de sua ajuda.
- Pra?
- Preciso de uma pessoa pra traduzir oque as pessoas daqui dizem.
- Volta pra casa, Justin. –Ela suspirou.
Ela não queria que aquela doença caísse assim de paraquedas na vida dele, ela sabia que oque ele estava dizendo desapareceria quando ele soubesse que lhe faltava pouco tempo de vida.
Ela não queria que aquela doença caísse assim de paraquedas na vida dele, ela sabia que oque ele estava dizendo desapareceria quando ele soubesse que lhe faltava pouco tempo de vida.
- Por que eu faria isso?
- Por..por. quer –Ela gaguejou passando as mãos entre os cabelos- Porque eu comecei namorar com o Phelipe.
- Então é mesmo sério? -Ele quase gaguejou
- Sim é sério, estou até pensando em me mudar em alguns meses, e mesmo que não estivesse você precisa crescer antes de voltar, precisa ser um homem de verdade e com caráter, que é oque você não tem –Ela resmungou.
Ele comprimiu os lábios.
Ele comprimiu os lábios.
- Bom –Ele forçou-lhe um sorriso dando um paço para frente- Passe um dia comigo então, eu posso te mostrar que mudei, Faith.
- Pra que? Eu já disse, você precisa voltar de onde nunca devia ter saído, sua vinda até aqui é uma coisa nada agradável e a muito inapropriada.
- Por que quer tanto que eu volte, oque pensa que sou, Faith? Idiota ou retardado? você esta me escondendo alguma coisa.
- Olha, Justin... Eu... Eu preciso entrar –Ela deu-o as costas trancando a porta, sem esperar Justin regressou a bater na porta, ela escondia algo, ele tinha certeza que escondia.
- Faith? Faith abre a porra da porta, droga Faith que merda –Justin gritou.
Ela do outro lado da porta deixou-se escorregar agarrada a suas tulipas vermelhas, Faith chorou baixinho, chorou por não querer que ele sentisse como ela se sentia... Aquela dor, melancolia, aquela tristeza não merecia ser sentida por ninguém, e já bastava ela fazer o pai, Candy e Phelipe passar por tudo aquilo, queria poupa-lo, mesmo que não tivesse certeza dos sentimentos dele para com ela.
Ela do outro lado da porta deixou-se escorregar agarrada a suas tulipas vermelhas, Faith chorou baixinho, chorou por não querer que ele sentisse como ela se sentia... Aquela dor, melancolia, aquela tristeza não merecia ser sentida por ninguém, e já bastava ela fazer o pai, Candy e Phelipe passar por tudo aquilo, queria poupa-lo, mesmo que não tivesse certeza dos sentimentos dele para com ela.
Sexta feira - São Paulo -Centro Universitário- 13:45
- Quer mesmo continuar com a faculdade? Sabe, tem uma coisa que eles fazem com que você curse em apenas um ano e possa se formar por conta dos privilégios de você poder se formar.
- Eu quero viver como uma pessoa normal, Phelipe –Contestou ela soltando a fumaça densa que lhe brincava na boca.
- Mas com isso tu podes se livrar de três anos aqui.
- Eu não quero prioridade, eu mal quero que as pessoas fiquem sabendo disso, quanto mais fazer esse aceleramento que faz com que eu me sinta uma anormal.
- Desculpe –Ele murmurou.
Andara amuado desde o dia anterior. Quando Faith havia lhe contado de sua doença, parecia que seu pobre mundo havia caído em cima de sua cabeça, nada mais fazia sentido, tudo mudaria de agora em diante. Como olhar pra ela sem pensar que sua sentença estava decretada? Como olhar pra ela e já não se sentir nostálgico? Como olhar pra ela e não sentir essa dor de já saber que aquele sorriso não durará por muito tempo? Sua cabeça estava assim a dois dias, e tudo que ele queria era que ela pelo menos uma vez retribuísse o amor que ele lhe dava.
Andara amuado desde o dia anterior. Quando Faith havia lhe contado de sua doença, parecia que seu pobre mundo havia caído em cima de sua cabeça, nada mais fazia sentido, tudo mudaria de agora em diante. Como olhar pra ela sem pensar que sua sentença estava decretada? Como olhar pra ela e já não se sentir nostálgico? Como olhar pra ela e não sentir essa dor de já saber que aquele sorriso não durará por muito tempo? Sua cabeça estava assim a dois dias, e tudo que ele queria era que ela pelo menos uma vez retribuísse o amor que ele lhe dava.
- Tem estado tão calado esses últimos dias, Phelipe. –Faith murmurou enquanto saía do campus indo ao estacionamento.
- Não é nada. –Ele respondeu
- Não fique assim, ainda tenho muito tempo. –Ela ofereceu-lhe um sorriso
- Eu não consigo, Faith –Ele grunhiu tristonho- Até tento mas é impossível não me sentir nostálgico antecipadamente.
- Não queria que se sentisse assim –Ela murmurou soltando um suspiro
Ela destravou e entraram, deu a partida jogando seu cigarro contra a janela e durante todo o caminho ela podia ouvir suspiros quase inaudíveis de Phelipe ao seu lado, se a dor de Phelipe já fazia com que ela se sentisse mal e culpada, seria terrível se Justin ficasse assim ou pior. Era difícil ter que ser forte pra ela mesma, e para as pessoas a sua volta, ela queria desabar a cada segundo que passava, queria gritar, questionar, espernear, chorar, queria uma resposta por sua vida ter sido tão louca e ao mesmo tempo curta. Deus estava brincando com ela? Lhe dava um mês com seu ídolo e lhe tirava de todo a vida? Aquilo era tão perturbador para ela, mas mesmo assim ela não precisava desmanchar-se a cada segundo pois não queria que as pessoas a sua volta sentissem-se pior.
Ela destravou e entraram, deu a partida jogando seu cigarro contra a janela e durante todo o caminho ela podia ouvir suspiros quase inaudíveis de Phelipe ao seu lado, se a dor de Phelipe já fazia com que ela se sentisse mal e culpada, seria terrível se Justin ficasse assim ou pior. Era difícil ter que ser forte pra ela mesma, e para as pessoas a sua volta, ela queria desabar a cada segundo que passava, queria gritar, questionar, espernear, chorar, queria uma resposta por sua vida ter sido tão louca e ao mesmo tempo curta. Deus estava brincando com ela? Lhe dava um mês com seu ídolo e lhe tirava de todo a vida? Aquilo era tão perturbador para ela, mas mesmo assim ela não precisava desmanchar-se a cada segundo pois não queria que as pessoas a sua volta sentissem-se pior.
- Isso sempre a de acontecer com pessoas boas? –Em um ato repentino se ouvia a voz de Phelipe a perguntar ingenuamente.
- Não Phelipe, isso só acontece com pessoas com células ruins –Ela forçou um sorriso- Eu tinha que herdar alguma coisa da minha pobre mãe.
- Não sei como consegue fazer piadas com isso, você não se importa? Não se importa comigo? Ou com Candy e seu pai? Você fica por ai o tempo todo fingindo que esta tudo bem, e continua se destruindo com cigarros, como se não se importasse com nada que possa acontecer.
- Eu só não queria que se sentissem mal com tudo isso, e eu não quero meus amigos e meu pai com cara de enterro o resto da minha vida, Phelipe. –Um suspiro rasgou-lhe a garganta seca- Você não entende? Eu vou morrer, mas quem disse que eu quero que me lembrem o tempo todo disso? Eu... Eu quero continuar minha vida o quanto eu puder, eu quero viver, eu quero me sentir feliz o quanto eu puder, quando eu estiver fraca o bastante pra não conseguir nem ao menos levantar-me da cama aí sim vocês podem sentar-se comigo e murmurarem o quanto foram felizes com a minha presença na vida de vocês, não que foram tristes e melancólicos.
- Desculpe, acho que eu só estava pensando na minha dor, e me esquecendo da sua
- Eu te entendo –Ela tirou os olhos brevemente da escada para olha-lo.
São Paulo – Apartamento de Candy 14:55
- Pensei que iria para o apartamento de Phelipe depois da aula –Resmungou ela
Quando vira Faith entrar pela porta com algumas sacolas, Faith que pensava que Bieber havia desistido dela e de saber qual era o problema com ela por simplesmente não lhe dar mais nem uma notícia nos últimos dias. Pois as sacolas a mesa e sentou-se no sofá ao lado de Candy acendendo um cigarro.
Quando vira Faith entrar pela porta com algumas sacolas, Faith que pensava que Bieber havia desistido dela e de saber qual era o problema com ela por simplesmente não lhe dar mais nem uma notícia nos últimos dias. Pois as sacolas a mesa e sentou-se no sofá ao lado de Candy acendendo um cigarro.
- Você esta me deprimindo. –Falou ao perceber a face avermelhada e os inúmeros lenços de papel em volta da amiga, enquanto na TV passava um filme tão melancólico quanto ela.
- Desculpe. –Sussurrou
- A quanto tempo esta aqui?
- Não queira saber –Ela forçou um sorriso
- Eu estou bem, Candy.
- Você sabe que não esta.
- Deixe para chorar quando eu morrer, eu ainda estou viva.
- É isso que me assusta, Faith –Regressou ela a chorar- É isso que esta me matando também.
- Você vai encontrar outra pessoa pra dividir o apartamento, um namorado quem sabe? –Ela tentou anima-la porem o choro de Candy era de partir o coração de qualquer um.
- E pra dividir o resto?
- Divida com você mesma, ou comigo de onde eu estiver, com certeza não será no céu.
- Não tem graça, Faith –Ela riu amuada entre soluços.
- Riu por que então?
- Porque você é uma idiota.
- Eu te amo.
- Eu sei –Candy debruçou-se sobre a amiga abraçando-a enquanto afastava o cigarro. Faith suspirou enquanto lhe afagava os cabelos com a mão livre. Era a terceira vez naquela semana que ela tinha de lhe abraçar e dizer aquelas coisas, Candy não parou de chorar nem um minuto, mesmo Faith dizendo que não queria seus últimos meses melancólicos e nostálgicos, era inevitável, a saudade antecipada lhe sufocava. Já não sabia mais oque fazer além de simplesmente chorar, chorar o quanto podia e sabia que poderia. Faith afastou-se um pouco e enxugou suas lagrimas, agarrou ambas as faces e sorriu.
- Você esta um horror, precisa de um porre daqueles.
- Agora?
- Agora.
- Eu deveria te impedir de beber –Soluçou- Não te ajudar a fazê-lo.
- Quem se importa? Eu já vou morrer mesmo. –Faith levantou-se pondo seu cigarro nos lábios, caminhou até a mesa e pegou uma garrafa de Jack Deniel’s de dentro de uma de suas bolsas, sorriu satisfeita pondo o seu Camel que queimava lentamente em seus lábios e soltou aquela densa fumaça que contribuía mais a sua morte. Abriu a garrafa e voltou a se sentar do lado da amiga, tomou um gole tombando a cabeça para trás, sentindo aquilo rasgar-lhe intensamente a garganta.
- Se eu vou morrer, por que vou gastar meu curto tempo me lamentando se posso passar de porre? –Ela sorriu
- Eu não sei se essa seria sua atitude se você não tivesse passado um mês com o Justin. Eu realmente preciso agradecer a ele oque ele te fez ser –Ela contentou o choro agarrando a garrafa.
- Ele foi embora.
- Como sabe?
- Ele é uma confusão em pessoa, eu não sei se ele foi embora porque o ego dele não permitiu que ele insistisse, ou se ele ainda esta por aí por são Paulo, perdido sem saber falar nada.
- Talvez ele esteja te procurando –Ela sussurrou, Faith tomou a garrafa de sua mão tomando outro gole do uísque.
- Não sou tão importante assim, também não quero ser digna de pena.
- Então você não contou a ele?
- Não, não quero que ele me olhe com semblante de bom samaritano e se sinta no dever de me ajudar.
- Esse não é o dever dele, Faith. Se ele realmente ficar por você é porque ele realmente quer, porque ele não tem nem uma obrigação de estar aqui.
- Quando eu morrer ele irá saber, até lá eu não quero que ele saiba –Ele fumou seu cigarro, soltou a fumaça e em seguida tomou outro longo gole sentindo a amargura daquele uísque. Lembranças dos dias com Justin vieram-lhe a mente, em vagos períodos de tempo. Ele não podia saber, ele não devia saber.



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