9.20.2014

Forbidden Desire - 1º Capítulo

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Desci do carro e soltei a fina fumaça do meu cigarro, jogando-o contra o chão. Pisei em cima do mesmo com meu converse preto –estranhamente desgastado- e comprimi os lábios concertando minha mochila nas costas, finalmente eu havia voltado para casa, fui trancada em um reformatório por alguns meses por ter ajudado em um assalto. Muitos dizem que sou rebelde, que não consigo fazer nada certo, e que não possuo nem um tipo de bondade, muitos dizem que não tenho concerto. Papai diz que fui o maior erro já cometido por ele, que se a decisão dependesse dele, na hora da escolha ele preferia que mamãe estivesse viva não eu. Bom, já me acostumei. Aprendi a me virar sozinha, e já que eles dizem que sou assim. Por que eu faria diferente? Rodei as chaves do carro em meus dedos indicadores e mordi o lábio inferior caminhando pelo jardim da casa, meu vizinho Charlle, treinava futebol com um amigo. Quando me viu, acenou com a bola e sorriu. Revirei os olhos e apertei os paços indo em direção a porta, que estava escancarada. Resei mentalmente para que papai estivesse nu no quarto ao sair do banho, subi as escadas sorrateiramente e logo percorrendo o percurso até a porta de seu quarto. Pus o rosto de lado contra a porta podendo ouvir a cama ranger e os gemidos excessivos de alguma mulher qualquer.

- Ju..us.tin –Patético, abri a porta bruscamente fazendo ambos olharem-me assustados. A mulher estava em seu colo enquanto ele recostava-se na cama, não consegui conter o formigamento entre as pernas ao vê-lo quase por completo.
- Ops... Esqueci-me de bater - Forcei um sorriso, dei meia volta mas não fechei a porta. Caminhei em direção ao meu quarto lentamente enquanto me vinha àquela imagem a mente, em fim estava novamente em meu lar. Joguei minha mochila no chão, liguei o som alto, logo tocando de onde eu havia deixado One Republic couthing Stars, ótima pra quando estou me arrumando pra sair ou quando uso drogas. Eu estava tão animada por estar fora daquele maldito reformatório, enquanto dançava no ritmo daquele som me despi já sabendo que minha noite prometia. Era tão bom sentir aquele aroma do meu quarto, era tão bom sentir aquele vento da minha janela aberta entrar, era bom aquele ar puro da flórida. Tudo era tão bom quando se tinha liberdade. Cantarolei junto com a musica e tirei meu tênis antes, logo também tirei minha calça jeans, agora só me restavam às peças intimas.
- ESTOU LIVRE. –gritei dando pulinhos, o sorriso moldando-me os lábios chegava a doer. Foram sete longos meses de minha vida perdidos por um simples roubo. Não me admirava que papai não estivesse lá para me buscar, seria um milagre daqueles se ele se lembrasse. Milagre maior seria se ele aparecesse lá. Não demorou nada para que ele acabasse por completo com a minha animação, o som parou de tocar, fazendo-me virar para o motivo que fizeste o som parar.
- Oque você esta fazendo em casa? –Um sorriso sínico brincou em meus lábios, nem um desses milagres aconteceu, como eu disse, ele mal se lembrava de que era meu dia de sair.
- Fugi –Resmunguei
- Coloque a roupa vou te levar de volta.
- Não gaste sua gasolina, pus fogo naquele lugar, o reformatório Christ is salvation foi pro gargalo papai.
- O-o-que? –Ele gaguejou- Oque você é? Filha de satã?
- Sim, sou sua filha satã –Revirei os olhos- Sabia que não iria se lembrar
- Lembrar-me do que? 
- Dê que hoje seria o dia que eu poderia vir pra casa, estou livre, papai.
- Hum. –Ele balançou a cabeça, não pude deixar de perceber seu corpo suado e seu cabelo desgrenhado. Gostava do fato de papai passar toda manhã naquela academia, aquilo fazia-o ser um belo homem, mais desejável que qualquer garoto de 18. Juro que pessoas que não o conhecem não dizem que ele tem a idade que tem, sua beleza é tão jovial.- Ta olhando oque?
- Estava com saudade.
- É pra você aprender a deixar de fazer besteira o tempo todo.
- Aquilo foi só pra descontrair.
- Descontrair? –Vi sua testa franzir- Você não sabe o quanto isso magoaria sua mãe, eu juro que você herdou toda maldade que tua mãe não tinha.
- Deixe a minha velha descansar em paz. –Resmunguei tentando não entrar naquele assunto.
- Fale direito, ela é sua mãe.
- Que esta morta, droga. MORTA –Gritei impaciente- Oque custa você entender isso? Ela morreu e eu estou aqui, se você não pode escolher foda-se, me mate agora e se sinta melhor com isso. Vá até o cemitério e faça uma macumba para ela voltar, e murmure para si mesmo depois “EU FIZ A ESCOLHA CERTA” – Como resposta eu recebi um singelo tapa estalado, ato costumeiro, já desloquei muitas vezes o maxilar com esses tapas dolorosos.
- Alguns pais recebem os filhos com abraços, já você eu não sei se deve ser chamado de pai –Resmunguei.

05:35 P.M - Jacksonville

- Hey, Lolita, hey. Não quer ir ao cinema comigo? Vou encontrar uns amigos lá –Charlle gritou lá de seu gramado, eu que estava na escada da varanda da minha casa, sorri e balancei a cabeça negativamente.
- Por que você sempre fala de tão longe? –Perguntei-o, ele pela primeira vez após muitos convites gritados para ir ao cinema ou para ir a casa de Lee, caminhou para mais perto de mim. Era muito bonito, um sorriso tímido brincava-lhe nos lábios finos, seus olhos cinzentos brilhavam com a luz do sol da tarde a bater contra os mesmos.
- Desculpe, tenho medo do teu pai.
- Medo? –Ri sem humor- Não sinta, ele não é nada do que aparenta ser.
- Então –Ele coçou a nuca- Você quer?
- Sinto muito, Charlle. Eu cheguei hoje, vou jantar com meu pai lá na Genna.
- As almôndegas da Genna são indispensáveis - Ele concordou.
- Quem sabe a gente não se encontra lá no racha.
- Você vai ao racha? –Seu tom era quase inaudível, só então percebi que ele falava de uma forma baixa e lenta quando estava perto.
- Preciso ver meus amigos, comprar umas coisas, tratar de negócios.
- Negócios? –Ele riu baixinho enfiando as mãos nos bolsos da calça.
- Negócios, meu doce, Charlle... Negócios.
- Não seja pega, sabe oque andaram dizendo por aí?
- Oque?
- Que agora a polícia sempre ronda os lugares que tem rachas, se te pegarem de novo... Tu a de voltar pra lá em um piscar de olhos.
- Sou como um gato, Charlle –Ri de canto.
- Você não tem jeito, Lolita.
- Vá lá, vá para teu cinema.
- Não quer mesmo ir?
- Não posso, outro dia juro que vou para lhe dar uns beijos no escuro - Ri sem humor, percebendo suas bochechas ficarem levemente rubras.
- Vai mesmo?
- Animou-se né? Pode deixar. Pulo tua janela qualquer madrugada dessas.
- Teu pai me mata.
- Mata nada, ele não liga.
- Se é assim vou passar a dormir de janela aberta –Ele molhou os lábios- Mas agora vou indo, se não perco a sessão –Ele deu-me as costas após um aceno com a cabeça, forcei um sorriso e suspirei. Esperando que a noite não tardasse a cair, o tempo parecia não passar ali naquela varanda, eu observei as ervas daninhas ali ao lado da escada onde eu estava sentada. Outro suspiro rasgava-me a garganta, durante todo aquele dia eu não havia recebido nem um telefonema. Era incrível como sete meses faziam as pessoas esquecerem-se completamente de sua existência. Olhei para a calçada a alguns metros a minha frente, estava completamente vazia, quase não havia ninguém em nossa vizinhança. Eram todos enfiados dentro de suas casas, de frente para TV evitando ver oque à vida lhes oferecia realmente de bom, não havia crianças com triciclos nas calçadas. Não havia garotas carregando seus carrinhos repletos de bonecas, não havia crianças com balões d’águas como antes. Não havia exatamente nada em minha rua, nem uma movimentação humana, tornando cada segundo parada ali tedioso. Senti meu celular vibrar em meu bolso e sussurrei um “graças a Deus” como resposta. Peguei-o olhando oque refletia no visor do mesmo.

“Bem vinda de volta pequena, Lol. Vem aq em casa mais tarde!!!!”

Era oque dizia na mensagem de Noha, um velho amigo. Sorri e me levantei percebendo o sol já sumir entre as montanhas, e a escuridão repentina vinha engolindo, sem deixar rastro de que ali um sol já havia brilhado. Entrei em casa enquanto respondia um breve “ok” para Noha. Passei pela sala podendo ver papai sentado ao sofá, não contive a vontade e me sentei ao seu lado. Não adiantava de lá muita coisa evita-lo, não importava quando, as discussões sempre terminam em um tapa doloroso e estalado. No entanto nunca o ignorei no fim do dia, pois ela despertava minha libido.

- Quem era aquela mulher? –Perguntei-o
- Que mulher, Lola? –Ele não tirou a atenção da TV.
- Aquela lá, uma prostituta ou namorada nova?
- Não é da sua conta.
- Sua vida sentimental é da minha conta sim.
- Não é sentimental.
- Quando vai parar de encontrar mulheres em cafés e namorar uma moça que preste? –Resmunguei, ele virou sua face para mim.
- Sou velho de mais pra isso.
- É velho pra namorar uma moça, mas não é para fazer o tipo garotão que não ama e transa com qualquer uma que encontra por aí? Quanta hipocrisia.
- Deixe-me com minha hipocrisia então. –Ele ignorou-me olhando para a TV. Revirei os olhos.

08:15 P.M – Casa da Almôndega

- Bem vinda de volta, Lolita. –Geena deixou o prato a nossa mesa e passou as mãos no avental branco que lhe cobria a parte da frente do corpo. Inclinou-se na mesa para dar-me um beijo molhado na testa, Geena era bastante conhecida na cidade, todos pelo menos uma vez na semana tinham de fazer uma visita em seu restaurante. Mas a maioria das noites aquilo enchia de velhos contadores de lorotas, e no salão ao lado tinha aquelas idosas que se reunião para o bingo após o jantar.
- Sentimos tanto sua falta. –Continuou ela.
- Bem, oque posso dizer-te é que estou de volta.
- Vê se da um jeito nessa vida menina. –Ela tinha um tom irritantemente maternal.- Tem de tudo em casa e se deixa levar por esses rapazes da cidade, eles ficaram aqui, mas e você?
- É oque eu sempre digo, Geena. –Papai deu um longo gole no vinho.
- Foi apenas uma coisa divertida, estávamos entediados, Geena – Falei.
- Entediados, vê se pode isso? –Seus olhos se estreitaram e ela balançou a cabeça em negação, me tirando um risinho.- Essa juventude de hoje em dia. –Ela deu-nos as costas ainda balançando a cabeça, eu dei uma garfada em minha almôndega incrivelmente apresentável, era tão bonito aquele prato que deixava-me até nostálgica as vezes por perder aquilo por seis meses.
- Coma direito, você parece uma criança –Ouvi papai resmungar, eu revirei os olhos.
- Me diz um modo de comer as almôndegas de Geena sem ser assim? –Sorri após engolir oque estava na boca, peguei o guardanapo em cima da mesa e passei-o contra os lábios. Por algum tempo houve silencio a mesa, apenas os ruídos dos talheres a bater contra os pratos, papai nunca tinha nada para dizer ou perguntar, não me perguntou como sobrevivi no reformatório ou como me senti... De qualquer forma, sabia que é melhor assim. Peguei a garrafa de vinho servindo-me pela terceira vez vendo-o me olhar de rabo de olho
- Você sabe que em noites de jantar não pode tomar mais de duas taças, Lola.
- Ah, por favor, papai – Choraminguei.
- Você não tem idade pra beber.
- Também não tenho idade pra ser presa, e fui, não tenho idade pra me drogar e me drogo, não tenho idade pra matar alguém e matei duas pessoas, não tenho idade pra participar de uma suruba e participei... É a vida papai. –Dei um gole no vinho.
- Você não foi presa... –Ele fez uma pausa dando-se conta do meu sarcasmo- Não tem graça Lola.
- Você é que não tem senso de humor –Ele olhou-me sério e molhou os lábios deixando aquela questão de lado.

* * *

Minha visão estava turva, eu tentava contentar aquela sensação até finalmente chegava em casa, marcavam 10:00 PM. Eu não me importava por que havia avisado a Noah que só iria daqui a alguns minutos para lá. Que se dane, ele deveria vir me ver, não eu. Oque havia de errado com todos esses filhos da puta? Eu saio por sete meses e eles se esquecem da minha existência? Esquecem-se de quem é que manda nessa droga?
- Você não deveria ter bebido tanto, que droga Lola, eu disse não. –Ouvi papai resmungar fechando a porta atrás de mim.
- Estou tentando não me importar com o fato de que todos da cidade se esqueceram de mim. –Respondi pegando as chaves do meu carro em cima da mesinha.
- Você não vai sair dessa casa, você não vai por os pés dentro daquele carro assim. –Ele exclamou tentando pegar as chaves de minhas mãos.
- Qual é papai? Vai mesmo bancar uma de papai preocupado? Não faz seu estilo. –Sussurrei fitando seus lábios.
- Você pode ser presa de novo, além de sofrer outro acidente. –Ele agarrou-me o pulso tentando tirar as chaves de minha mão, gargalhei me aproximando mais.
- Eu preciso ir a casa do Noha papai. –Sussurrei em um risinho
- Você ainda não saiu do castigo. E não vai sair de carro agora. –Grunhiu entre dentes, mordi o lábio inferior recebendo seu olhar um bocado surpreso
- Ficarei de castigo só se for presa a sua cama.
- O-oque? -Gaguejou
- Você me ouviu papai.
- E-e-e-eu sou seu pai Lola. –Ele afastou-se ainda um pouco surpreso porem irritado.
- E por isso não pode me castigar em sua cama. –Dei um risinho, mas esperei ele afastar-se o suficiente da porta para que eu pudesse acenar com as pontas dos dedos e correr até a porta o mais rápido que meu corpo um tanto embriagado podia. Ele obviamente correu atrás de mim mas era tarde de mais, eu já estava dentro do carro acelerando aqueles motores como nunca.
- LOLA –Ele gritou da calçada, olhei-o pelo retrovisor rindo daquilo, da forma como ele havia ficado surpreso, bem eu não ligava nem um pouco pra tudo aquilo, eu não tinha vergonha alguma, principalmente na cara. Gargalhei pisando fundo no acelerador

* * *

- COMO ASSIM VOCÊ NÃO TA EM CASA PORRA? –Gritei ao telefone para Noha, estava a ponto de matar aquele idiota pelo telefone, eu estava a cinco minutos parada em frente a sua casa e nada daquele imbecil aparecer, era como todo o respeito tivesse se esvaio nesses meses.
- To aqui na garganta do diabo, vem pra cá.
- Droga Noha, vai se ferrar cara, você marcou na sua casa.
- Mudanças de plano ué.
- Vai se ferrar seu babaca. –Grunhi desligando o celular e jogando-o em cima do banco ao meu lado, respirei fundo e despejei todo meu ódio contra o acelerador. Eu deveria ser presa pelo modo como vivo dirigindo, qualquer dia posso matar alguma velhinha passando na faixa de pedestres. Apertei as mãos no volante só então me lembrando que eu havia deixado uma garrafa de Jack Deniels de baixo do meu banco. Havia colado a garrafa lá com fita isolante antes de ser levada pra aquele reformatório estúpido, abaixei um pouco tateando com a mão esquerda a garrafa em baixo do banco, com certa dificuldade finalmente depois de dois minutos consegui puxar a garrafa libertando-a das fitas, abri a garrafa dispensando um pouco a importância de por as mãos no volante por alguns segundos, e joguei a tampa no banco ao lado, bufei ainda irritada e dei um gole naquele líquido quente que eu tanto amava, uma mão ia ao volante e a outra segurava firmemente a garrafa.

11:47 P.M  -Garganta do diabo – Jacksonville


Bati a porta do carro e dei outro gole na garrafa de Jack Deniels, aquela merda daquele bar parecia estar completamente vazio, era só oque me faltava agora os tiras darem toque de recolher e Noha já estivesse voltado pra casa e me deixado novamente com cara de idiota a sua espera. Acendi um cigarro um pouco mais embriaga do que estava quando saí de casa, em passos vagarosos caminhei até o bar. Sem muito controle do meu corpo me enclinei na porta abrindo-a bruscamente... que merda era aquela? 

Não sei se essa irá ser uma fanfic clichê mas em fim, espero que gostem. Posto o próximo capítulo em breve 

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